quarta-feira, 14 de outubro de 2009
O sorriso mais belo
Para algumas pessoas era apenas mais uma noite, mas para Kelvin não. Normalmente a escuridão estaria tomando conta do lugar se não fosse pelo brilho intenso irradiado pela Lua. Sobre a grama o sereno aparentava ser um enorme tapete que revestia todo o campo. A frio dominava o ambiente. O céu praticamente todo estrelado possuía alguns pássaros negros voando em formação em direção ao Sul. Kelvin começava a perceber que depois daquela noite jamais encontraria a mulher mais bela que já tinha visto e pela qual havia se apaixonado. Elizabeth iria pegar o trem rumo ao Norte para estudar em uma conceituada faculdade e obviamente não voltaria para aquele pequeno vilarejo. Esse era movimentado apenas pelo centro de formação de militares que ali se estabelecia. A despedida não foi algo muito feliz de se olhar. Faltava meia-hora para Elizabeth embarcar na locomotiva e em Kelvin já era possível visualizar algumas lágrimas escorrendo do rosto marcado pelos longos dias de trabalho no centro. Ficaram abraçados até a hora da partida. Ele tentava consolar a sua amada que desabara em prantos. Abraçando-a forte, percebeu que seria a última vez que iria sentir o cheiro daquele doce perfume; que iria ver aquele brilho que só os olhos dela possuíam; que não poderia mais beijar aqueles doces lábios os quais abrigavam o sorriso mais belo. As lágrimas não eram apenas só dela, ele tinha começado a chorar também. Entretanto, não tentava mais disfarçar. Ele beijava a cabeça dela dando a sua benção final e apertava firmemente a mão dela que estava suando. Na hora da partida foi uma tristeza só. Não queriam se separar. “A distância pode tentar separar seu amor de mim, mas meu coração sempre estará em você, meu amor”, disse Kelvin em meio a gaguejos. A hora era aquela. Elizabeth embarcou e logo se sentou em uma poltrona próxima à janela. “Eu te amo, eu te amo”, era só o que ela sabia dizer em meio aos longos cabelos ruivos e às lágrimas que haviam borrado a sua maquiagem. Kelvin não podia fazer mais nada agora: o trem entrara em movimento. Em sua mente ficava repetindo: “Adeus, adeus, meu bem...”
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