terça-feira, 20 de outubro de 2009
Eu sou a Eternidade
Era ao mesmo tempo cheia de felicidade e ingrata. Viveu todos os momentos que nosso Planeta já presenciou. Lutou em grandes guerras sangrentas e aproveitou momentos de paz. Viu a destruição de nações inteiras e a criação de algumas. Conheceu desde a mais alta nobreza até o menos favorecido trabalhador. Passou fome às vezes, outras, teve fartura de comida. Beijou princesas e príncipes, mas também foi rejeitada em alguns casos. Nasceu e teve filhos, netos, bisnetos, etc. Amou indivíduos e alguns chegou até mesmo a trair. Desfrutou ao máximo da vida. Apesar de sofrer da pobreza e da miséria em certos momentos, conseguiu dinheiro e comprou as jóias mais caras. Bebeu dos vinhos mais caros, mas passou sede. Vestiu roupas de grifes e costuradas à mão, mas ficou despida também. Cirurgia alguma era necessária, pois estava sempre esplêndida. Porém, após um longo tempo, nada parecia fazer mais sentido. As mortes e as vitórias das guerras passaram a não fazer mais efeito. A paz não alterava nada. As civilizações que sumiam não faziam falta, e as que surgiam não faziam a mínima diferença. Todas ambicionavam as mesmas riquezas materiais. Os jantares da alta nobreza não eram mais tão alegres e a miséria do pobre não era mais sentida. Os beijos apaixonados perderam o gosto. A comida não tinha sabor e não saciava a fome bruta. O vinho nem ao menos era sentido descendo pela garganta. Seus ascendentes não se importavam com a existência dela. As jóias deixaram de possuir qualquer tipo de brilho e os belos vestidos e ternos não cobriam mais o corpo. O inesperado passou a ser monótono e conhecido. E mesmo sendo desconhecido, não havia mais razão para esperar. As pessoas que conhecia, os amigos que fazia, não lhe agradavam. Como ela daria tudo que possuía para ser como todos os outros. No início, tudo era maravilhoso e mágico, mas agora tudo perdera a graça. Ela, meus amigos, era a eternidade.
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