sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Coração faz-de-conta

O amor da atualidade tem se perdido muito em depoimentos de Orkut, palavras de MSN. Tudo tem que ser demonstrado, se não, não é sentimento real. Com isso, o amor afoga-se. Perde-se. E me pergunto, será que realmente amamos?
Há uns cinco anos atrás, comecei a procurar o real significado do amor. Tentei encontrá-lo. Fui a lugares onde casais costumavam se encontrar. Fui a parques, cinemas. Tentei analisar cada demonstração de afeto. Encontrei sorrisos. Beijos apaixonados. Abraços apertados. Mãos dadas. Porém, depois de um tempo de freqüência aos lugares, os casais mudavam. Presenciei apenas um que durou até quando eu parei de ir. Cheguei até mesmo a ver um parceiro de um antigo casal com outro. Mas como pode trocar-se tão facilmente de “amor”? Esse é o amor que todos querem? Não. O real amor é aquele que não precisa de endeusamentos. É um sentimento que com atos simples, torna-se especial. Ele não é movido por jóias caras, jantares luxuosos. Importamos-nos tanto em mostrar para os outros que amamos alguém, que nos esquecemos de amar de verdade. Até parece que quem queremos impressionar são os outros e não a pessoa amada. Temos a vontade de dizer: EU amo ela. Mas para que isso? O amor é algo íntimo. É uma troca mútua, mas não com o mundo e sim com seu parceiro. No jogo do amor de hoje, parece que quem vence é aquele que é mais inovador. Aquele que mais demonstra o amor, não para a amada mas para o mundo. E o amor platônico? Ah, esse virou moda maior. Se quem você “ama” não quer você, então é amor platônico. Você conhece a pessoa a menos de uma semana e já diz que ama. Será que o amor tornou-se um bom-dia?
Para mim esse sentimento nunca estará totalmente esclarecido. O que mais o torna belo é o fato de ser complicado. O indivíduo que mais chegou perto de definir o amor foi aquele que mais escreveu delicadezas em um texto. Eu apenas posso tentar diferenciá-lo do amor atual. O amor verdadeiro, aquele que na atualidade é algo tão comum, não se encontra em qualquer lugar. O amor não é destruído por nada; não envelhece; não muda de cidade; não é esquecido; não desgasta. As brigas só o fortalecem, pois quem ama de verdade não liga para desentendimentos. Aqueles só querem viver o amor; aproveitar ao máximo. Quem ama sempre dá mais uma chance. Não, eles não são trouxas nem bobos. Eles acreditam no amor. Acreditam que se algo aconteceu, não foi por que o outro quis. O mundo dá muitas voltas. Estamos sujeitos a todos os acontecimentos possíveis. O apaixonado dá a chance porque não saberia viver sem a pessoa; não se perdoaria se não perdoasse. Ela sabe que seu parceiro faria o mesmo. Existe a confiança na relação. E a confiança, o que é? É outro sentimento difícil de explicar, mas menos que o amor. É quando você precisa de alguém, e esse alguém aparece; em momentos de felicidade ele sorri com você; em momentos de tristeza ele está ao seu lado. É uma pessoa que você acredita; que você aposta todas as suas fichas. A distância também não existe para a confiança. Esse sentimento faz parte da base do amor. Ambos são sentimentos inexplicáveis; foram feitos apenas para serem sentidos. Por isso, não diga “eu te amo” para todos que você conhecer. Por que pode ser apenas a necessidade da pessoa no momento. No dia seguinte, ela pode arranjar outro, por exemplo, e você ficar sozinho. O amor pode ser analisado como uma árvore; como uma sequóia. Nasce pequeno no coração, ou melhor, na mente, e com o tempo vai crescendo, firmando suas raízes. Torna-se um mastodonte da natureza. Indestrutível. Fica tão grande e forte, que ninguém mais pode derrubá-lo. Porém para chegar à tal nobreza, a árvore passou por muitas dificuldades. Quando criança teve que batalhar pela luz tão disputada na floresta; teve que criar raízes fortes e longas para enfrentar grandes tempestades e secas duradouras. Sofreu abalos sísmicos. Agüentou o peso dos passarinhos que eram tão pesados e que hoje nem pode ser sentidos. Ela teve que dar tempo ao tempo. Não ficou brava quando suas folhas não nasciam ou quando não chovia. Ela entendeu. Entendeu que tudo tem a sua hora, e tinha a certeza que um dia seria recompensada. Ela tinha esperança. Mas o que é isso? É um sentimento que quando tudo está para desmoronar, explodir, desabar, alguém está lá com todo o otimismo. É crer no impossível. Apesar de todas as dificuldades, ela está lá: firme e forte. Podem aparecer milhões, trilhões de madeireiros e ela não saíra de lá. Por quê? Por que ali ela se estabeleceu; ali ela viu o mundo inteiro passar; ali ela aprendeu a viver em harmonia.
Você leitor, deve estar pensando quem sou eu para falar essas coisas. Eu sou apenas mais um nesse mundo gigantesco. O que busco? Busco a sabedoria, a igualdade. Defendo todos que estão ao meu alcance, mas posso atacar também; defendo as causas humanas. Busco o significado do amor e procuro o meu. Como vou encontrá-lo? Não sei, mas sei de uma coisa: irei senti-lo. Quando você sentir arrepios ao falar com um indivíduo, mesmo que seja por MSN; se você só pensa nele, sonha com ele todas as noites; se perde nos pensamentos de como seria viver ao lado da determinada pessoa; bem, ai eu acho que você está chegando perto de saber o que é o amor.
Já conheci e conheço muitas pessoas. Cada uma com o próprio jeito de ser e agir. Alguns imitavam os outros, mas eram poucos. Disseram-me uma vez que não devemos depositar o nosso carinho, felicidade, cuidado de uma vez só em uma determinada pessoa. Não penso assim. Todos que se aproximam de mim, eu faço questão de tratar com todo afeto que possuo. E se ela não retribuir? Tudo bem, pois eu sei que a minha parte eu fiz. Devemos plantar uma semente em cada pessoa que conhecemos. Só assim saberemos se podemos confiar, namorar, ficar com ela.

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