sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Teatro [2]

[...] Tudo naquele lugar era diferente. No ar, essências tomavam conta do ambiente dominando a mente dos convidados. Os sonhos começavam a se tornar realidade e a fazer parte do grande espetáculo. Fantoches e marionetes alegravam a todos antes que a peça começasse. Tais objetos aparentavam possuir vida, demonstrando assim, a capacidade excepcional dos condutores. Estavam sentados em seus respectivos assentos aguardando o tão esperado início. Enfim, começa. Um show de luzes fantástico; dançarinas loiras de origem russa davam o pontapé inicial à peça. O balé russo era simplesmente espetacular, e tinha a capacidade de deixar a platéia inteira vidrada nas belas acrobacias. Mais essências eram jorradas do alto do palco, deixando ainda mais os convidados sob o efeito alucinógeno. Ninguém sabia a composição dessas substâncias, apenas se sabia que faziam a cabeça "pirar". Isso tornava o espetáculo ainda mais maravilhoso do que já era. Após as bailarinas, surgiam africanos com máscaras de rituais sagrados. Faziam danças diferentes e cantavam suas preces. Depois davam lugar a homens e mulheres que realizavam um show pirotécnico. Os espectadores iam à loucura diante essa apresentação. Então, simplesmente do nada, tudo acabava. As cortinas se fechavam rapidamente. As luzes se acendiam para que os convidados se retirassem. Toda a fantasia parecia ter morrido; parecia ter sido parte apenas um sonho. Mas não, a fantasia nunca morre. Ela está dentro de cada um de nós, basta que a libertemos.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Teatro

Era uma noite fria e amedrontadora. No céu não havia sinal de estrelas por causa da existência da fumaça emitida pelas fábricas da cidade. Todos estavam acolhidos em suas respectivas casas. Uma forte chuva havia passado ali e portanto as pessoas não se encontravam na rua. Porém, já passada das dez horas da noite, indivíduos começaram a sair de suas moradias. Vestiam roupas caras e elegantes; homens de fraque e mulheres de vestido longo. Iam em direção à uma estrutura monumental localizada no centro da cidade. O Teatro Municipal era a principal atração daquele lugar. Era uma construção antiga, cheia de gárgulas e vigas romanas. Logo na entrada as pessoas se defrontavam com uma escadaria imensa. No início de cada ponta da longa subida uma escultura de águia negra era vista. As luzes dominavam o ambiente, um show de iluminação que só o Teatro possuía. Entretanto, toda a beleza e plenitude daquele espaço não vinha apenas de eletricidade e engrenagens. Havia algo especial, diferente e mágico ali.[...]

sábado, 24 de outubro de 2009

Amorfobia

E o pequeno menino descobriu como era que o seu pai, primos mais velhos, amigos se sentiam naquela situação. Parecia que nada tinha sentido. Ele era novo ainda, mas essa experiência atinge à todas as faixas etárias. Não conseguia aceitar que estava acontecendo. Sempre via seus primos e amigos mais velhos tristes quando isso acontecia, mas agora era com ele. Tinha medo do mundo. Pensava que não iria encontrar aquilo nunca mais. Aquele sentimento com toda aquela essência e poder que ele possuía não voltaria. Ela estava com outro já e nem ao menos desejava conversar com o apaixonado abandonado. Ela resolvera sair da vida dele para sempre. Entretanto, ele não acreditava. Não conseguia entender porque tinha que acontecer justamente com ele. Jurou amor eterno à ela. Estava certo que ela o amaria para a eternidade. A chuva não molhava e os raios solares não queimavam. O vento não era possível ser sentido nos cabelos de rastafari. As balas que sempre mastigou não tinham gosto. Nada tinha sentido. Todos começaram a perceber a situação que o pobre jovem se encontrava. Então, um senhor muito idoso, disse com a sua voz rouca, "Esse jovem tem medo de amar novamente".

Par de Luzes

E a construção teve início. Kelvin planejou tudo. Imaginou grandes portas de madeira maciça e maçanetas de ouro. As janelas seriam recobertas por longas cortinas vermelhas aveludadas. Nas paredes, pinturas de famosos seriam penduradas. Um imenso tapete árabe cobriria o chão da mansão. Móveis importados e caros iriam formar a mobília da casa. Várias suítes para os hóspedes, uma sala de jogos e uma academia particular. Na sala, uma lareira toda de mármore e no alto dela uma pintura da mãe de Kelvin. Os sófas seriam dos mais confortáveis e na cor bege claro. Na cozinha, todos os aparelhos seriam os mais modernos e tecnológicos. Seu quarto teria uma cama de casal só para ele e no seu banheiro uma banheira de hidromassagem. Era o sonho dele essa casa. Após determinado tempo de trabalho, a casa tinha sido finalizada. Estava maravilhosa, esplêndida. Foi extremamente difícil para ele realizar tal façanha sem a sua querida amada ao seu lado. Aliás, fazia tempo que a mesma não lhe vinha ao pensamento. Tudo estava indo muito bem. Entretanto, um dia ele saiu da suntuosa moradia buscando algo que faltava. Tinha dinheiro para comprar qualquer coisa, pois economizara o salário do Centro. Buscou, buscou e buscou. Nada. Não achou simplesmente nada. Na volta para seu lar, deparou-se com um vendedor de flores. Eram rosas, mas não eram as normais e sim as importadas. Suas pétalas parecem ser de veludo. Quando se viu diante tal situação, correu para muito longe. Começara a chover e a cada pisada no chão, água era jorrada sobre seus sapatos de couro. Aconteceu algo que ele não provera: Elizabeth voltou-lhe à mente. Correu e correu. Em um instante, visualizou duas luzes amarelas vindo em sua direção, porém não parou. Foi em direção ao par de faróis. Enfim, tudo teve seu fim. Ali, estava ele: deitado naquele chão molhado olhando para o céu estrelado. Sabia que não iria sobreviver a tal acidente; suas pernas tinham sido comprometidas e sangue lhe vinha à boca. Quando as pessoas que antes estavam abrigadas da chuva começaram a surgir para prestar ajuda ele abriu um sorriso. Todos estranharam aquela situação. Então, uma jovem criança e chega e pergunta, "porque o senhor fez tal ato? Acompanhei toda a sua corrida e vi que não desviou do ônibus de propósito". "A sua vida, meu senhor, acabou. Suas pernas não possuem mais utilidade e sangue escorre pela sua boca. Para que tudo isso?", continuou a menina em meio a lágrimas. "Minha filha, tudo que eu pude fazer na minha vida eu fiz. Aproveitei ao máximo. Construi uma bela casa no topo naquela colina. Vi várias aventuras ao lado dos meus amigos. Amei a mulher mais bela que existe. Visitei lugares conhecidos e desconhecidos. Mas minha vida perdeu o sentido quando minha amada se foi. Foi para uma cidade muito longe daqui e da qual nem sei o nome. Não sei quanto a você, mas eu estou feliz, pois o meu sofrimento acabou." Finalizou a sua fala com um sorriso de canto a canto da boca e fechou os olhos para aquele mundo.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Eu sou a Eternidade

Era ao mesmo tempo cheia de felicidade e ingrata. Viveu todos os momentos que nosso Planeta já presenciou. Lutou em grandes guerras sangrentas e aproveitou momentos de paz. Viu a destruição de nações inteiras e a criação de algumas. Conheceu desde a mais alta nobreza até o menos favorecido trabalhador. Passou fome às vezes, outras, teve fartura de comida. Beijou princesas e príncipes, mas também foi rejeitada em alguns casos. Nasceu e teve filhos, netos, bisnetos, etc. Amou indivíduos e alguns chegou até mesmo a trair. Desfrutou ao máximo da vida. Apesar de sofrer da pobreza e da miséria em certos momentos, conseguiu dinheiro e comprou as jóias mais caras. Bebeu dos vinhos mais caros, mas passou sede. Vestiu roupas de grifes e costuradas à mão, mas ficou despida também. Cirurgia alguma era necessária, pois estava sempre esplêndida. Porém, após um longo tempo, nada parecia fazer mais sentido. As mortes e as vitórias das guerras passaram a não fazer mais efeito. A paz não alterava nada. As civilizações que sumiam não faziam falta, e as que surgiam não faziam a mínima diferença. Todas ambicionavam as mesmas riquezas materiais. Os jantares da alta nobreza não eram mais tão alegres e a miséria do pobre não era mais sentida. Os beijos apaixonados perderam o gosto. A comida não tinha sabor e não saciava a fome bruta. O vinho nem ao menos era sentido descendo pela garganta. Seus ascendentes não se importavam com a existência dela. As jóias deixaram de possuir qualquer tipo de brilho e os belos vestidos e ternos não cobriam mais o corpo. O inesperado passou a ser monótono e conhecido. E mesmo sendo desconhecido, não havia mais razão para esperar. As pessoas que conhecia, os amigos que fazia, não lhe agradavam. Como ela daria tudo que possuía para ser como todos os outros. No início, tudo era maravilhoso e mágico, mas agora tudo perdera a graça. Ela, meus amigos, era a eternidade.

domingo, 18 de outubro de 2009

Moça de bota

Acordei. Abri lentamente os olhos e senti a minha cabeça latejando. Logo elevei minha mão à ela e senti o sangue escorrer. Levantei e fiquei sentado de cabeça baixa, pensando porque tinha feito aquilo. Então, acontece o inesperado. Avisto uma bela mulher de cabelos morenos vindo pelo campo verde. Via nela um charme jamais visto igual. Com suas botas de camurça e seu shorts xadrez, ela conseguiu conquistar a minha atenção. Chegando perto de mim, disse com uma voz extremamente doce, " tudo bem, moço?". Na hora hora não me contive e fiquei logo todo vermelho de vergonha, "tu-tudo bem sim, mo-moça". Ela se ajoelhou ao meu lado e de sua bolsa retirou um pedaço de lenço e colocou-o sobre o meu ferimento. De início me arrepiei mas com a outra mão ela começou a fazer a carinho no meu ombro, "calma, já vai passar". Me senti no céu. Após o sangue ter parado de escoar, ela levantou-se e estendeu a mão para mim, "venha, vou te levar para minha casa e então faremos um curativo melhor". Meu coração no mesmo instante disparou; pensei "essa linda mulher está me chamando para ir à casa dela. Não é uma casa qualquer, é a dela. Mas ela deve ter namorado." Enfim, estendi a mão e segurei firme. Estava suada mas mesmo assim não escorregou. Então, segurando a mão dela, seguimos pelo horizonte...

Vôo

O céu estava lindo, nuvens ali não existiam. O campo verde parecia um imenso mar com suas ondas que eram causadas pelo vento. Tudo estava tão diferente, que não aparentava ser o mesmo mundo que conheço. Apenas uma árvore era possível ver e embaixo da qual eu estava cochilando. Entretanto, algo perturbou o meu sonho. Levantei-me assustado e corri para fora da área coberta pela aquela que a poucos minutos me abrigava do Sol. Após algum tempo, percebi que o incômodo não vinha do exterior, mas sim do interior, da minha mente. Uma sequência de fatos que tinha feito questão de esquecer, voltavam a tona à minha cabeça. Amores passados, brigas, discussões com amigos, tudo me bombardeava naquele momento. Elevei minhas mãos à cabeça e tentei me afastar daquelas lembranças. Não me ajudou muito, mas pelo contrário, elas começaram a afetar ainda mais. Gritei, berrei por ajuda, mas naquele local não havia moradores nem muito menos visitantes. Meu desejo maior era poder voar para o lugar mais alto possível e me ausentar de todo o resto do mundo. Corri. Corri o mais rápido que eu pude, tentando manter os olhos abertos mais tempo, pois até durante uma piscada a imagem de ex-namoradas aparecia. Não sentia mais as minhas pernas e fôlego começava a me faltar. Até que em uma pedra acabei por tropeçar e bati a cabeça da grama. Tudo se apagou, ficou quieto...

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Que venha a escuridão e a solidão

Estava ali, sozinho e com frio. No canto daquele quarto úmido e escuro eu tentava encontrar algum consolo. Tudo parecia ter perdido o seu controle e a sua lógica. As coisas tinham mudado drasticamente. Tudo começou quando me apaixonei por uma bela morena dos olhos cor de mel. Sonhava com o meu encontro com ela, mas tudo desabou. Surgiu outro homem na história e como já conhecessem a minha sorte no amor, ele ganhou. Pedi a ela que me desse amor, carinho; que me tocasse com as suaves mãos que ela possui; que beijasse a minha cabeça e me abraçasse quando estivesse inseguro ou em perigo. Pedi para ela me esperar. Que me amasse como nunca amou ninguém, pois iria fazer o mesmo. Queria ela ao meu lado em todas as festas que fosse, mas não era possível por causa da distância. Então, deixei de lado minhas saídas e resolvi ficar no MSN conversando com ela. Deixei de curtir, de zuar, de xavecar por causa dela. Então chegou o dia em que pedi: se eu não puder ter o seu amor, me dê a escuridão e a solidão. E aqui estou. Congelando de frio sem nenhuma vestimenta diante de uma tempestade de vento que eu nunca vi igual na minha vida. Apesar de eu estar começando a não sentir mais as minhas pernas, ainda sinto o meu coração. Parece que ele é a única parte que ainda possui alguma espécie de vida. É tudo estranho. Tanta coisa aconteceu esse ano para eu acabar aqui? Como um ninguém sem nem ao menos ter um funeral descente? Meus parentes não irão me achar aqui. Todos podem pensar que jamais irei amá-la novamente, e estão certos, pois eu jamais deixei de amar a minha princesa.

O sorriso mais belo

Para algumas pessoas era apenas mais uma noite, mas para Kelvin não. Normalmente a escuridão estaria tomando conta do lugar se não fosse pelo brilho intenso irradiado pela Lua. Sobre a grama o sereno aparentava ser um enorme tapete que revestia todo o campo. A frio dominava o ambiente. O céu praticamente todo estrelado possuía alguns pássaros negros voando em formação em direção ao Sul. Kelvin começava a perceber que depois daquela noite jamais encontraria a mulher mais bela que já tinha visto e pela qual havia se apaixonado. Elizabeth iria pegar o trem rumo ao Norte para estudar em uma conceituada faculdade e obviamente não voltaria para aquele pequeno vilarejo. Esse era movimentado apenas pelo centro de formação de militares que ali se estabelecia. A despedida não foi algo muito feliz de se olhar. Faltava meia-hora para Elizabeth embarcar na locomotiva e em Kelvin já era possível visualizar algumas lágrimas escorrendo do rosto marcado pelos longos dias de trabalho no centro. Ficaram abraçados até a hora da partida. Ele tentava consolar a sua amada que desabara em prantos. Abraçando-a forte, percebeu que seria a última vez que iria sentir o cheiro daquele doce perfume; que iria ver aquele brilho que só os olhos dela possuíam; que não poderia mais beijar aqueles doces lábios os quais abrigavam o sorriso mais belo. As lágrimas não eram apenas só dela, ele tinha começado a chorar também. Entretanto, não tentava mais disfarçar. Ele beijava a cabeça dela dando a sua benção final e apertava firmemente a mão dela que estava suando. Na hora da partida foi uma tristeza só. Não queriam se separar. “A distância pode tentar separar seu amor de mim, mas meu coração sempre estará em você, meu amor”, disse Kelvin em meio a gaguejos. A hora era aquela. Elizabeth embarcou e logo se sentou em uma poltrona próxima à janela. “Eu te amo, eu te amo”, era só o que ela sabia dizer em meio aos longos cabelos ruivos e às lágrimas que haviam borrado a sua maquiagem. Kelvin não podia fazer mais nada agora: o trem entrara em movimento. Em sua mente ficava repetindo: “Adeus, adeus, meu bem...”

Conto de fadas moderno

Quantas vezes já não ouvimos a famosa frase inicial "Era uma vez..."? E por consequência já sabíamos que a história teria um final feliz, mas mesmo assim teimávamos em ler ela. O mal sempre perdia pois não possui espaço no mundo das fadas. Tudo acaba na melhor das situações possíveis. Os contos mais citados na atualidade são os que possuem um romance entre príncipes e princesas. Normalmente essas estão em perigo e aqueles irão salvá-las. Por coincidência, após a missão de resgate ambos descobrem que são o complemento, a alma gêmea um do outro. Em alguns há a presença de um vilão que por sua vez também deseja a mão da princesa aprisionada.
Nos dias de hoje essa situação não sofre muitas alterações. A mocinha tão desejada ainda existe mas novos obtáculos são impostos ao príncipe moderno. O número de vilões em busca da princesa aumenta. Porém, a influência do pai não é tao importante; cabe à mãe a função exercida anteriormente por esse. A princesa não é apenas uma, quero dizer, apenas de um mesmo gênero. Há aquelas apaixonadas e românticas quem sonham encontrar o "príncipe" perfeito; aquelas que gostam de todos, ou talvez nem gostem, apenas querem satisfazer uma vontade momentânea; e ainda existem aquelas que fazem a cabeça dos "príncipes", não deixando que esses briguem, terminem ou parem de amá-las. Entrentanto, o príncipe não é nenhum santo na história. Muitos deseja apenas "ficar" com a princesa; não gostam de ficar parados na mesma, namorando. Esses gostam é baderna, da azaração. Mas há aqueles que amam realmente e são esses que mais se dão mal. Eles escrevem poemas, cartas e até textos sobre a amada, mas essa não corresponde, ou se corresponde, age falsamente. Ele deposita todas as esperanças sobre a doce mulher mas algum dia irá descobrir que ela não era o que pensava.
O conto de fadas moderno talvez nem possa ser considerado um conto como o descrito inicialmente. Muitas vezes ele não possui um final feliz e as vezes nem o começo. Mas não é por isso que iremos considerá-lo algo ruim. Ele pode ser maléfico para o coração da pessoa magoada ou traída, mas certamente irá fortalecer ela. Não irá deixar que ela se engane novamente diante do mesmo fato vivenciado. Se você que está lendo já viveu ou vive uma história dessa, relaxe. Acalme-se. Tudo vai dar certo. Sempre dá.

sábado, 10 de outubro de 2009

Mensageiros Solitários

Nas baias do grande Castelo, cavalos brancos e negros eram encontrados. Todos eram corpulentos e sempre estavam com seus pêlos e crinas cuidados. O corpo deles estava coberto com um longo manto de veludo avermelhado e no qual havia a marca do Castelo com os seguintes dizeres em romeno: Născut între sacru şi tractate la apărarea a Castelului(Nascidos entre sagrados e alados para a defesa do Castelo). Suas descendências eram de equinos criados na Romênia por uma família tradicional. Esses eram especialistas na criação e procriação de cavalos, tendo todos esses a maior excelência. Eram animais preparados para longas e árduas viagens pelo Reino da Ventania. Os cascos das patas eram gigantescos e mostravam uma série de ranhuras e rachaduras fruto das difíceis travessias.
Montados neles iam os Mensageiros Solitários. Esse nome era devido a longa ausência deles, não deixando assim que eles construíssem uma família e um lar. Trajavam longas vestimentas negras e muitas vezes rasgadas; aparentavam, na verdade, serem farrapos e não uma roupa propriamente dita. Não possuíam um corpo definido e as longas viagens não deixavam que massa corporal fosse acumulada. Em seus capacetes dourados números estavam marcados. Na frente de cada um estava escrito na língua natal deles que também era o romeno: Chat-uri Castle (Mensageiros do Castelo). No topo e ao centro uma grande e vultosa pluma negra a qual adivinha de emas que eram encontradas apenas nas regiões mais distantes do Reino. Tal chamativo existia para mostrar que os Mensageiros eram capazes de ir à qualquer lugar, por mais longe que esse fosse. Cada pluma era conquistada por seu próprio Mensageiro, sendo esse o último desafio para conclusão da formação.
Não possuíam amores verdadeiros, apenas mulheres da vida que encontravam em seus caminhos ou quando voltavam para o Castelo. Vida pessoal era inexistente, sendo dedicados assim apenas à suas missões e aos seus nobres cavalos. Jovens e crianças adoravam ouvir as histórias que os Sarcedotes contavam sobre eles e sonhavam um dia tornar-se um Mensageiro. Mas não era uma profissão a qual seja louvada. Era uma vida sem felicidade verdadeira apesar de usufruírem de uma grande quantidade de dinheiro. Talvez nem mesmo eles, os Mensageiros, quisessem estar naquele ramo, mas com o tempo aprenderam a gostar. Era uma vida cansativa, por isso não eram vistos idosos no meio deles. Aparentava ser uma vida de luxo, de conquistas e mulheres, mas na realidade era a fase na qual se caía no esquecimento do significado da vida.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Princesa de Pano

Era uma noite sombria e fria no Castelo. Todos os serviçais já tinham se recolhido em seus respectivos quartos. O Castelo possuía dimensões incompreensíveis, com quartos e mais quartos, onde todos eram enormes. Era constituído por uma base feita de mármore puro e com desenhos feitos com folhas de ouro. Ele se estendia até que as pontas de suas enormes torres tocassem a mais alta nuvem. Era algo monstruoso. Os camponeses do vilarejo sentiam medo só de passar perto dos grandes portões, feitos de madeira maciça e com barras de aço com a grossura do punho de um homem adulto. Quatros guardas faziam a segurança da entrada, localizando-se dois em cada extremidade. Eram homens fortes e jovens com armaduras e capacetes dourados com diamantes incrustados. Não possuíam expressão em suas faces, parecia que algo tinha retirado a felicidade, a vontade de viver deles. Possuíam olhos azuis e cabelos brancos; suas longas barbas estendiam-se até a altura do peito.
Naquela magnífica construção vivia uma jovem donzela a qual todos chamavam de Princesa de Pano. Muitos nunca a viram, apenas aqueles que moravam dentro do Castelo. Segundo empregados sempre trajava um longo vestido branco-neve, o qual definia todas as suas curvas salientes. Diziam que ela era a mulher mais bela dentro do Castelo. Usava uma coroa simples, mas que demonstrava soberania sobre os outros. Olhos cor de mel eram a marca dela, seu sorriso pouco aparecia. A maior parte do tempo ficava restrita ao seu quarto; diziam que escrevia poemas. Passeava nos campos floridos do Castelo e sempre coletava uma ou duas flores. Os animais que ali ficavam para enfeitar pareciam amar ela; consideravam-na uma mãe. Ela era querida por todos e por tudo, mas nos últimos dias não andava muito alegre. O seu futuro marido havido partido em uma longa viagem e havia deixado-a sobre a proteção do governante do Castelo.

Janela cor-de-rosa

Para muitos o mundo é algo imenso, já para outros, pequeno. Aqueles que se restringem apenas àquilo que se encontra ao seu alcance, jamais conheceram a janela cor-de-rosa. Esse objeto não existe com algo material; está limitado ao espaço da mente. Não existem obstáculos e barreiras para impedirem o avanço e descobertas do ser humano. As que existem são frutos da burocracia e da decisão de governantes. Em seu início, o mundo era algo inabitável. Com o surgimento do ser humano, tribos começaram a considerar-se mais poderosas que outras e delimitam áreas.
O espaço é infinito e você faz parte dele. Portanto, é possível concluir que você é infinito também. Para esse, não existem barreiras; então, você não possui limitações! Obviamente essa conclusão está restrita ao estado natural do ser humano, pois na realidade elas existem. As que estão impostas foram definidas pela sociedade e pelos seus respectivos governantes. Alguns filósofos defendiam que era necessária a existência de um Estado para que o caos e o terror não tomassem conta da população.
A janela cor-de-rosa é um objeto abstrato criado por mim com o intuito de explicar que o mundo, ou melhor, as pessoas não podem se restringir. Através dela a liberdade e o poder podem ser vistos. Para mim, ela está presente em todas as mentes, o que muda são as dimensões que possui. Entretanto, em alguns casos ela nunca chegou a ser vista. A janela é algo pessoal e sua formação é constituída de esperanças em sonhos e desejos. Ela não pertence a uma casa ou prédio; está solta, vagando livremente na mente do indivíduo. O termo cor-de-rosa não significa que ela é necessariamente rosa; pode apresentar diversas cores ou também nem possuir. Ela é o puro significado da vontade própria.

Mundo Infinito

Acorde. O tempo está ai, na sua frente. Perceba que ele nunca para e o que tempo que você levou para começar a ler esse texto não volta mais. O tempo é algo estranho, esquisito. Só nos resta o próprio passado. O presente está em constante mudança, tornando-se assim parte daquele. Já o futuro, ninguém sabe como será. Quem dera o tempo fosse infinito. Seria perfeito. Mas lembre-se: tudo que é perfeito acaba por enjoar. Então, não deseje o infinito. Imagine. Tudo acabaria por virar um imenso ciclo vicioso. Guerras iriam repetir-se e novas surgiriam. Não digo que o terror tomaria conta do nosso Planeta. A paz também possuiria seu espaço. Mas, a paz? Para mim, não passa de um simples conceito; algo que não irá existir. Associado a ela podemos ligar a igualdade. Essa certamente nunca surgirá. Sempre haverá aquele que desejará mais e mais. Não, leitor. Não sou pessimista; sou realista. Exponho e digo os fatos como são sem criar ilusões. Mas o que é o infinito? Algo gigantesco, que não possui dimensões e nunca acabará. Se a repetição for igual, ela será infinita. Infinito é aquilo que não muda, que não sofre nem realiza alterações. “Mas o meu namorado diz que o amor dele é infinito”. Que nada. Aguarde, e verá que nada é para sempre. Não estou dizendo que ele irá te trair. Não, jamais. Mas a perfeição não pode ser alcançada. E se ele conhecer outra menina, você ainda irá acreditar que o amor dele é “infinito”? Acredite. Ele é infinito, pois passará de amor de namoro para amor de amizade. Então, o tempo é infinito, mas aprenda: sua vida não. Indico que aproveite cada momento de sua vida; cada hora, cada dia, cada mês, cada ano. Mas aproveite com as pessoas certas. Sim, acompanhado, pois nenhum homem ou mulher é uma ilha e sim um arquipélago. Curta sem restrições; mas também não é para quebrar leis. Faça aquilo que deseja, realize seus sonhos. Ame. Acorde. Realize. Viva. Beba. Divirta-se. Saia. Brinque. Aproveite. Coma. Durma. Relaxe. Beije. Abrace. Creia. Reze. Brigue. Perdoe. Deite. Fazendo o que quer e o que sonha, você poderá dizer que viveu um infinito. Então, nessa altura do campeonato, entenderá o real significado do infinito.

Coração faz-de-conta

O amor da atualidade tem se perdido muito em depoimentos de Orkut, palavras de MSN. Tudo tem que ser demonstrado, se não, não é sentimento real. Com isso, o amor afoga-se. Perde-se. E me pergunto, será que realmente amamos?
Há uns cinco anos atrás, comecei a procurar o real significado do amor. Tentei encontrá-lo. Fui a lugares onde casais costumavam se encontrar. Fui a parques, cinemas. Tentei analisar cada demonstração de afeto. Encontrei sorrisos. Beijos apaixonados. Abraços apertados. Mãos dadas. Porém, depois de um tempo de freqüência aos lugares, os casais mudavam. Presenciei apenas um que durou até quando eu parei de ir. Cheguei até mesmo a ver um parceiro de um antigo casal com outro. Mas como pode trocar-se tão facilmente de “amor”? Esse é o amor que todos querem? Não. O real amor é aquele que não precisa de endeusamentos. É um sentimento que com atos simples, torna-se especial. Ele não é movido por jóias caras, jantares luxuosos. Importamos-nos tanto em mostrar para os outros que amamos alguém, que nos esquecemos de amar de verdade. Até parece que quem queremos impressionar são os outros e não a pessoa amada. Temos a vontade de dizer: EU amo ela. Mas para que isso? O amor é algo íntimo. É uma troca mútua, mas não com o mundo e sim com seu parceiro. No jogo do amor de hoje, parece que quem vence é aquele que é mais inovador. Aquele que mais demonstra o amor, não para a amada mas para o mundo. E o amor platônico? Ah, esse virou moda maior. Se quem você “ama” não quer você, então é amor platônico. Você conhece a pessoa a menos de uma semana e já diz que ama. Será que o amor tornou-se um bom-dia?
Para mim esse sentimento nunca estará totalmente esclarecido. O que mais o torna belo é o fato de ser complicado. O indivíduo que mais chegou perto de definir o amor foi aquele que mais escreveu delicadezas em um texto. Eu apenas posso tentar diferenciá-lo do amor atual. O amor verdadeiro, aquele que na atualidade é algo tão comum, não se encontra em qualquer lugar. O amor não é destruído por nada; não envelhece; não muda de cidade; não é esquecido; não desgasta. As brigas só o fortalecem, pois quem ama de verdade não liga para desentendimentos. Aqueles só querem viver o amor; aproveitar ao máximo. Quem ama sempre dá mais uma chance. Não, eles não são trouxas nem bobos. Eles acreditam no amor. Acreditam que se algo aconteceu, não foi por que o outro quis. O mundo dá muitas voltas. Estamos sujeitos a todos os acontecimentos possíveis. O apaixonado dá a chance porque não saberia viver sem a pessoa; não se perdoaria se não perdoasse. Ela sabe que seu parceiro faria o mesmo. Existe a confiança na relação. E a confiança, o que é? É outro sentimento difícil de explicar, mas menos que o amor. É quando você precisa de alguém, e esse alguém aparece; em momentos de felicidade ele sorri com você; em momentos de tristeza ele está ao seu lado. É uma pessoa que você acredita; que você aposta todas as suas fichas. A distância também não existe para a confiança. Esse sentimento faz parte da base do amor. Ambos são sentimentos inexplicáveis; foram feitos apenas para serem sentidos. Por isso, não diga “eu te amo” para todos que você conhecer. Por que pode ser apenas a necessidade da pessoa no momento. No dia seguinte, ela pode arranjar outro, por exemplo, e você ficar sozinho. O amor pode ser analisado como uma árvore; como uma sequóia. Nasce pequeno no coração, ou melhor, na mente, e com o tempo vai crescendo, firmando suas raízes. Torna-se um mastodonte da natureza. Indestrutível. Fica tão grande e forte, que ninguém mais pode derrubá-lo. Porém para chegar à tal nobreza, a árvore passou por muitas dificuldades. Quando criança teve que batalhar pela luz tão disputada na floresta; teve que criar raízes fortes e longas para enfrentar grandes tempestades e secas duradouras. Sofreu abalos sísmicos. Agüentou o peso dos passarinhos que eram tão pesados e que hoje nem pode ser sentidos. Ela teve que dar tempo ao tempo. Não ficou brava quando suas folhas não nasciam ou quando não chovia. Ela entendeu. Entendeu que tudo tem a sua hora, e tinha a certeza que um dia seria recompensada. Ela tinha esperança. Mas o que é isso? É um sentimento que quando tudo está para desmoronar, explodir, desabar, alguém está lá com todo o otimismo. É crer no impossível. Apesar de todas as dificuldades, ela está lá: firme e forte. Podem aparecer milhões, trilhões de madeireiros e ela não saíra de lá. Por quê? Por que ali ela se estabeleceu; ali ela viu o mundo inteiro passar; ali ela aprendeu a viver em harmonia.
Você leitor, deve estar pensando quem sou eu para falar essas coisas. Eu sou apenas mais um nesse mundo gigantesco. O que busco? Busco a sabedoria, a igualdade. Defendo todos que estão ao meu alcance, mas posso atacar também; defendo as causas humanas. Busco o significado do amor e procuro o meu. Como vou encontrá-lo? Não sei, mas sei de uma coisa: irei senti-lo. Quando você sentir arrepios ao falar com um indivíduo, mesmo que seja por MSN; se você só pensa nele, sonha com ele todas as noites; se perde nos pensamentos de como seria viver ao lado da determinada pessoa; bem, ai eu acho que você está chegando perto de saber o que é o amor.
Já conheci e conheço muitas pessoas. Cada uma com o próprio jeito de ser e agir. Alguns imitavam os outros, mas eram poucos. Disseram-me uma vez que não devemos depositar o nosso carinho, felicidade, cuidado de uma vez só em uma determinada pessoa. Não penso assim. Todos que se aproximam de mim, eu faço questão de tratar com todo afeto que possuo. E se ela não retribuir? Tudo bem, pois eu sei que a minha parte eu fiz. Devemos plantar uma semente em cada pessoa que conhecemos. Só assim saberemos se podemos confiar, namorar, ficar com ela.