quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Vem pra minha Medicina.

  Dessa medicina pouco sei eu. São tantos os médicos que colocam um jaleco branco para esconder ternos caros e fingem que doutoram, que inspecionam, que falam que cuidam dos teus, dos meus, dos nossos males que já perdi a conta. A histologia cuida dos tecidos, a embriologia, é claro, dos embriões, os ortopedistas, dos pés dos "hortifrutis". Contudo, reafirmo, pouco sei eu. Já escutei de tudo, já fiz de tudo, fiz até um mapa metabólico que mais parece o mapa do metrô da Grande São Paulo. É, acreditem, tem até as cores. Já ouvi nome de músculo que não lembro nem a primeira letra, imagine saber onde fica. Ham. 

   Estranho seria se eu entendesse essa tal Medicina que tenta de tudo, até mesmo me clonar. Tenta criar mais anos de vida para idosos que tiraram suas vidas em anos de cigarro, anos de cerveja, anos de vida. E agora, essa mesma Medicina, tenta colocar na minha cabeça que inúmeros corantes fazem mal, que remédios podem matar, sendo que vejo pessoas que viveram suas vidas inteiras com isso. Esquisito seria se eu soubesse o que essa Medicina fala. Sei que ela cura, que ela ensina e doutrina, que salva, mas as vezes mata. Que dá esperanças, que pode ser alegre, como os Doutores da Alegria. Olha só! Sorrisos invadem um espaço onde a morte pode ser quase certa! Dão esperanças, dão pelo menos espaço para que um sorriso possa surgir antes da hora de partir. 

  Bem, mas essa Medicina é complicada. É maluca. É, eu imagino como deve ser estudar isso. Contudo, eu te convido. Venha viver a minha medicina, onde em histologia você só vai conhecer  tecido da minha pele; em embriologia, é... bem, essa matéria ainda não está disponível; em cardiologia você vai conhecer a batida do meu coração; em neurologia, você vai acabar descobrindo que não sai da minha cabeça; no pneumologista, descobrirá que seu perfume é tudo para meus pulmões; que na pediatria vai perceber que sou sempre criança; que na anatomia só vai conhecer a do meu corpo; que naquela tal de bioquímica, a única química existente é a do meu amor por você; que na radiologia, você vai ver que meus ossos tremem de paixão por você e se por acaso quiser uma ressonância, vai ver seu nome no meu coração.

  A única física da biofísica existente é a do nosso beijo, abraço e sorriso. Na saúde coletiva, bem, de coletivo não tem nada; na farmacologia, vai ver que pro meu amor o único remédio é você do meu lado; e, por fim, na genética vai ver que nossos genes foram feitos para se amar.

  Contudo, como já disse, dessa Medicina nada sei, o pouco que sei é da minha.

Gustavo  K. Martins

Um comentário:

  1. Meu amor, é incrível sua criatividade e capacidade de nos prender ao texto. Sua forma de escrever é magnífica! Espero que voce nunca desperdice esse dom que Deus lhe deu e continue utilizando-o para a escrita de textos construtivos e instigantes.
    Obrigada por essa homenagem velada e por todo o seu carinho!
    Amo você!

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