quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Caçadores de sonhos.

   Acordado. Olhos quase que ressacados. Um leve zumbido no ouvido de mosquito. Um tapa. Cessa o zumbido. Fica apenas o barulho do ventilador de teto, trêmulo sob a cabeça de Górki. Não havia muito tempo tinha se mudado para aquela terra escaldante e repleta de parasitas loucos por um pouco de sangue. Estava sentado em uma poltrona velha que ficava de frente para uma janela de madeira branca. Por ela era possível ver inúmeras plantas que voltavam a mostrar suas filhas, suas flores, com pétalas das mais diversas cores. O cachimbo, como de costume, sempre aceso e liberando uma suave camada de fumaça espalhada pelo vento que vinha do teto. A barba estava por fazer e os cabelos castanhos, presos por uma tira de couro formando um rabo de cavalo. A camisa suada e cheia de marcas de terra. Realmente o trabalho tinha sido árduo naquele outono. Unhas repletas de barro e botas com um certa crosta de terra molhada mostravam que havia trabalhado a pouco. As chuvas estavam abundantes, transformando o canteiro quase em uma lagoa, mas nada que impedisse Górki de plantar suas pequenas. O rifle estava pendurado na parede, quase que completamente empoeirado. De repente, uma brisa entrou pelas janelas entreabertas. Chuva estava por vir, mas não era preocupação. Deixou lentamente de lado a poltrona vermelha e foi em direção a janela. Levantou a mão direita, a qual possuía um terço enrolado, e tirou o cachimbo do canto da boca com a esquerda depois de dar uma última tragada. Olhando adiante, para o infinito e deixando-se perder naquele horizonte, deixou que a fumaça saísse pelas narinas lentamente. Enfim, uma nova fase estava vindo. Finalmente. 

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