quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Um. (1)

   Só disso que preciso, de apenas um. Apenas um sorriso seu para poder inundar meu dia de alegria e felicidade. Apenas um abraço para me sentir em fortes fortalezas longe de todo e qualquer mal. Um beijo molhado que encaixa em minha boca e me leva a loucura, que me deixa arrepiado, que me serve de cura para todas as noites distantes. Um olhar para enfeitiçar o meu e me deixar completamente em suas mãos. Uma Ave-Maria rezada com você antes do meu descanso de cada dia. Uma viagem para que nós possamos tentar matar a saudade ou simplesmente apenas fingir que a matamos, pois ambos sabemos que ela não tem fim. Uma ligação antes de dormir, para contar como foi o dia, as dificuldades, conquistas, derrotas e histórias. Um bom dia logo ao abrir os olhos, para mostrar que pensamos um no outro desde cedo. Um beijo na testa para demonstrar todo meu respeito por você e o que espero para nós no futuro. Um suspiro ao te abraçar e te ver. Uma cutucada na barriga para ver aquela gargalhada que faz sorrir e ser mais feliz. Um olhar sereno, para mostrar que fiz besteira e errei com você. Um segundo do meu dia para ouvir a melodia mais bela do mundo, a sua voz. Um prova para te deixar ocupada e eu ter que respeitar. Uma despedida para me fazer chorar e começar a contar os dias para te ver novamente. Uma flor para lembrar da primeira rosa que te dei, lá no Colégio Militar. Uma mensagem de celular para começar tudo isso que vivemos até hoje, para dar o pontapé nessa paixão sem fim. Um vocativo para mostrar o carinho que temos um pelo outro. Um friozinho gostoso para eu te abraçar forte e perguntar se melhorou. Um buquê entregue na sua faculdade no dia dos namorados. Um par de alianças para representar nossa união conosco e com Deus. Uma mecha de cabelo no rosto para eu colocar atrás da sua orelha. Um entrelaçar de mãos e, falando de mãos, uma forma única de segurar a minha mão por ela ser grande. Uma missa na São Francisco para pedirmos a intercessão de Deus no começo de tudo. Uma apresentação de teatro para dizer que te amo.Uma angústia para que chegue o carnaval. Um dia para eu te ver de novo. Apenas um.

Gustavo K. Martins

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Caçadores de sonhos.

   Acordado. Olhos quase que ressacados. Um leve zumbido no ouvido de mosquito. Um tapa. Cessa o zumbido. Fica apenas o barulho do ventilador de teto, trêmulo sob a cabeça de Górki. Não havia muito tempo tinha se mudado para aquela terra escaldante e repleta de parasitas loucos por um pouco de sangue. Estava sentado em uma poltrona velha que ficava de frente para uma janela de madeira branca. Por ela era possível ver inúmeras plantas que voltavam a mostrar suas filhas, suas flores, com pétalas das mais diversas cores. O cachimbo, como de costume, sempre aceso e liberando uma suave camada de fumaça espalhada pelo vento que vinha do teto. A barba estava por fazer e os cabelos castanhos, presos por uma tira de couro formando um rabo de cavalo. A camisa suada e cheia de marcas de terra. Realmente o trabalho tinha sido árduo naquele outono. Unhas repletas de barro e botas com um certa crosta de terra molhada mostravam que havia trabalhado a pouco. As chuvas estavam abundantes, transformando o canteiro quase em uma lagoa, mas nada que impedisse Górki de plantar suas pequenas. O rifle estava pendurado na parede, quase que completamente empoeirado. De repente, uma brisa entrou pelas janelas entreabertas. Chuva estava por vir, mas não era preocupação. Deixou lentamente de lado a poltrona vermelha e foi em direção a janela. Levantou a mão direita, a qual possuía um terço enrolado, e tirou o cachimbo do canto da boca com a esquerda depois de dar uma última tragada. Olhando adiante, para o infinito e deixando-se perder naquele horizonte, deixou que a fumaça saísse pelas narinas lentamente. Enfim, uma nova fase estava vindo. Finalmente. 

Vende ou crê?

   Para começar a conversa, começarei com uma pergunta: quanto vale seu laptop? 1.600, 2.000, 1.800? Mais ou menos nessa faixa, certo? Pois bem, agora eu irei fazer uma afirmação quase que óbvia: para você estar lendo nesse momento esse post você está utilizando um laptop, por exemplo, ou outro aparelho que lhe custou determinada verba.

   Mudando da água para vinho, concluirei outro fato: você, jovem que é, estudioso e questionador, revolucionário, às vezes, deve saber da fome passada em países africanos e asiáticos. Sabe também que falta renda naqueles países e que muitas ONGs tentam ajudá-los da melhor forma possível. E entrando nesse mesmo assunto de ajuda aos mais necessitados, você sabia que na África existem 12.712 instituições católicas beneficentes e 18.776, na Ásia? Sabia também que a Igreja Católica é maior organização de ajuda do mundo? Sabia também que a Igreja Católica preza muito por suas orações, santos e intercessões? Que ela acredita fielmente que suas orações chegam a qualquer lugar?

   Voltando para vinho, comento sobre os pertences do papa. Aqueles cajados de ouro, tronos cheios de adornos e esplendor. São dotados de um altíssimo valor, certo? Ouso até dizer que certos objetos não possuem nem valor estimado. O seu laptop tem um valor, né? Provavelmente. Ele também deve ser atribuído de uma espécie de valor sentimental, como ser o seu primeiro, ou aquele em que você mais baixou músicas, ou o que você passou mais horas ligado, não importa. Agora pense nos pertences do papa. Você tem que concordar ou pelo menos aceitar que eles apresentam um valor para o papa, e não só para ele, mas para toda uma instituição regada de seguidores.

   Agora, eu pergunto sobre seu laptop. Você seria capaz de vendê-lo? Mas não para comprar um novo, mas sim para ajudar as crianças na África ou Ásia. Vender aquele relógio que você ganhou de presente de formatura, que tal? Ou quem sabe aquela bola de futebol que pertenceu ao avô? Não? Ficou na dúvida, é? Óbvio, eles têm um valor para você. Digamos, então, que eles tem uma tradição na sua família, tipo aquelas que se passa algo de pai pra filho e assim por diante. Então, os pertences da Igreja também apresenta tais valores, passasse de papa para papa.

  Então, ao invés de levantar críticas sobre a Igreja Católica, veja antes as coisas boas que ela proporciona para a sociedade. Ao invés de criticar o papa por causa do ouro em abundância, perceba que ele reza por você todos os dias, porque ele acredita nisso. Ele acredita que a oração salva, que ela santifica. Caso não queira pensar dessa forma, te indico um site bom para vender, quem sabe, aquela louça de família, ou o livro de receitas da vovó, que tal? Eai, vende ou crê?

Gustavo K. Martins

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Santa Maria, Santo Brasil.

  Lamentável. Realmente é de se impressionar o que aconteceu nessa cidade. Jovens, amigos, namorados apenas buscando uma noite mais agitada, mais badalada. E, por causa de um show pirotécnico, um incêndio com cerca de 245 mortos. Meus mais sinceros pêsames a todas as famílias e saibam que estão em minhas orações.

   Dessa forma, milhares de mobilizações ocorreram no País, correntes foram criadas em redes sociais divulgando onde doar sangue, onde se precisa de enfermeiras, médicos, enfim, ajuda. Textos enormes falando sobre saudade, sobre como foi terrível, como foi horrível. E nos perguntamos, será que esse incêndio ocorreu somente nessa noite?

  Será que doar sangue só é necessário agora? Será que voluntários só são necessitados agora? Ou será que só nos atentamos aos fatos quando são calamidades públicas? Em alguns momentos, deixa-se notar ou aparentar que a divulgação de "LUTO - Santa Maria" ou "que o Patrão Velho os acompanhe" não passa de simples forma de mostrar que você está por dentro das novidades, para que os outros pensem, como ele se importa!, como ele se preocupa!.

   Então, se vocês se importam tanto com esses desastres, porque não se preocupar com um ônibus que cai em uma vala na estrada? Ou a água que tanto faz falta aos nordestinos, mas na época de chuva traz tanto estrago? Porque isso NUNCA é lembrado? Mas não, o incêndio na boate deve ser mais importante que todos os outros problemas da humanidade e do Brasil! Aquele jovem que morreu sufocado é mais importante do que aquele que morreu afogado, ou de sede, ou por falta de remédios. Ninguém é mais importante que ninguém. Propagandas de doar sangue surgem a todo momento, mas os bancos de sangue do Brasil SEMPRE precisaram de doações. Pessoas começam a crer em Deus, falam em oração, e eu me pergunto, será que são tão devotos assim? Será que sempre tiveram esse coração? Será que precisaram ver esse incêndio para se tocarem dos problemas do Brasil, ou acharão que apenas esse é O problema?

   Devemos nos perguntar: será que é mesmo necessário que precisemos de UM "incêndio" para nos mobilizarmos? E tantos outros que acontecem, vamos ignorá-los? Precisamos, de verdade, disso tudo para ficarmos populares e ganharmos "likes"?

  Acorda, Brasil! O incêndio já alcançou todo o País!

  Aos familiares, amigos, namorados e afins que por acaso lerem esse texto, não pensem que estou criticando-os; estou somente falando daqueles que se aproveitam de caos para fazerem fama.

Gustavo K. Martins

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Vem pra minha Medicina.

  Dessa medicina pouco sei eu. São tantos os médicos que colocam um jaleco branco para esconder ternos caros e fingem que doutoram, que inspecionam, que falam que cuidam dos teus, dos meus, dos nossos males que já perdi a conta. A histologia cuida dos tecidos, a embriologia, é claro, dos embriões, os ortopedistas, dos pés dos "hortifrutis". Contudo, reafirmo, pouco sei eu. Já escutei de tudo, já fiz de tudo, fiz até um mapa metabólico que mais parece o mapa do metrô da Grande São Paulo. É, acreditem, tem até as cores. Já ouvi nome de músculo que não lembro nem a primeira letra, imagine saber onde fica. Ham. 

   Estranho seria se eu entendesse essa tal Medicina que tenta de tudo, até mesmo me clonar. Tenta criar mais anos de vida para idosos que tiraram suas vidas em anos de cigarro, anos de cerveja, anos de vida. E agora, essa mesma Medicina, tenta colocar na minha cabeça que inúmeros corantes fazem mal, que remédios podem matar, sendo que vejo pessoas que viveram suas vidas inteiras com isso. Esquisito seria se eu soubesse o que essa Medicina fala. Sei que ela cura, que ela ensina e doutrina, que salva, mas as vezes mata. Que dá esperanças, que pode ser alegre, como os Doutores da Alegria. Olha só! Sorrisos invadem um espaço onde a morte pode ser quase certa! Dão esperanças, dão pelo menos espaço para que um sorriso possa surgir antes da hora de partir. 

  Bem, mas essa Medicina é complicada. É maluca. É, eu imagino como deve ser estudar isso. Contudo, eu te convido. Venha viver a minha medicina, onde em histologia você só vai conhecer  tecido da minha pele; em embriologia, é... bem, essa matéria ainda não está disponível; em cardiologia você vai conhecer a batida do meu coração; em neurologia, você vai acabar descobrindo que não sai da minha cabeça; no pneumologista, descobrirá que seu perfume é tudo para meus pulmões; que na pediatria vai perceber que sou sempre criança; que na anatomia só vai conhecer a do meu corpo; que naquela tal de bioquímica, a única química existente é a do meu amor por você; que na radiologia, você vai ver que meus ossos tremem de paixão por você e se por acaso quiser uma ressonância, vai ver seu nome no meu coração.

  A única física da biofísica existente é a do nosso beijo, abraço e sorriso. Na saúde coletiva, bem, de coletivo não tem nada; na farmacologia, vai ver que pro meu amor o único remédio é você do meu lado; e, por fim, na genética vai ver que nossos genes foram feitos para se amar.

  Contudo, como já disse, dessa Medicina nada sei, o pouco que sei é da minha.

Gustavo  K. Martins

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Sucumbiremos?

   Retorno com apenas uma pergunta: onde esse mundo em que vivemos vai parar?

   Tudo parece estar tão diferente que, se reclamarmos, somos taxados de caretas, conservadores, presos a um passado que, segundo eles, deve ser atualizado. As pessoas estão mudando conceitos que foram aceitos pela sociedade por mais de 2000 anos, conceitos que constituem valores de ética, caráter e moral. Hoje pude ver até uma mulher leiloando a própria virgindade! Tudo bem, a vida é dela e vivemos em um mundo totalmente livre, ou quase todo. Se analisarmos de outra forma, a prostituição está sendo banalizada. "Ah, mas ela está leiloando, faz parte de um programa, ela não vive de vender o corpo". E daí? Ela não vai arrecadar todo o dinheiro para si? E a mídia faz o que? Transforma isso em um reality show para o mundo ver a vida dela, com a preparação para a tão esperada noite.
   Um deputado reclama que um filme banaliza a maconha. E quantos outros filmes não o fazem? O filme "Ted" é indicado para maiores de 16 anos, jovens que, segundo a sociedade, já possuem algum conhecimento sobre o assunto. Em contra partida, o tal deputado leva o seu filho de apenas 11 anos para assistir. Mas a indicação não é de 16 anos? Então pra que levar? Posso ser chamado criancinha ou coisas parecidas, mas minha mãe não me deixava assistir Matrix quando eu tinha 10 anos, imagina algum filme que fala sobre drogas, bebidas e sexo.
  Os relacionamentos ficam cada vez mais fúteis, perdem a sua essência. Redes sociais tomam o lugar de encontros românticos, saídas ao cinema ou uma simples conversa. Quando juntos, o casal de namorados só quer a pegação e a luxúria. Esquecem, mais uma vez, os valores que a sociedade cultivou por mais de 2000 anos. Acham normal o sexo antes do casamento e até mesmo antes dos 16 anos. Seria culpa da família que está ausente, ocupada com o trabalho e em ganhar dinheiro? Ou seria culpa do Estado, que não fornece cartilhas e programas nas escolas públicas? Ah, escolas públicas... E onde se encaixam as privadas, aquelas onde o preço fica maior a cada ano? Poderia ser culpa também dos amigos, que fornecem uma má influência para seus filhos... Ou também, porque a mídia não pode receber parte dessa culpa, por transmitir programas indecentes, como novelas onde a poligamia é aceita, sendo que nem muçulmanos são?
   Poderia passar horas atribuindo culpa a diversas pessoas, instituições, órgãos e classes, mas porque não assumimos parte dessa culpa e abrimos nossos olhos para perceber que, do jeito que estamos, a mesma sociedade construída a 2000 anos sucumbirá algum dia? Porque temos que considerar o conservador algo tão ultrapassado? O conservador pode ser apenas o correto que não precisa ser mudado. Por exemplo, eu poderia chamar o amor que você sente pela sua mãe de conservador. Ele começa quando você nasce e só vai acabar quando você morre. Ele não precisa mudar durante os anos de sua vida, ele não aumenta nem diminui, ele é único. E por ser conservador ele está errado? Sei que pode ter sido uma comparação meio que fantasiosa, mas foi a forma mais simples que consegui ilustrar. Enfim, pense sobre isso. Não venho aqui com um olhar educativo, religioso ou político. Venho apenas com um olhar crítico, tentando mostrar um pouco do que penso sobre essa sociedade dos dias atuais.

Gustavo Kwasniewski Martins
 

sábado, 24 de setembro de 2011

Rezar.

  Rezar... Uma palavra que foi posta de lado nos dias atuais. Parece ter sido excluída da vida das pessoas e que, apenas quando estão no sufoco, podem recorrer a ela e tudo dará certo. A rotina por vezes se transforma em um monstro tão grande que acaba por engolir o tempo antes dedicado à oração. Esquecemos de Deus. Esquecemos nossa fé. Esquecemos que, graças a Ele, possuímos tudo a nossa volta, que tudo a nossa volta foi feito por Ele. Sei que existem leitores que não acreditam em Deus, mas é preciso entender que sou católico e não vou esconder a minha fé, nem esquece-la.
  Esse post é mais uma súplica do que uma história, ou poema, ou conto, como muitos dos que já foram escritos. Peço que rezem. Rezem por mim, por ti, por ele, por nós, por vós, por eles. Rezem pela sua vizinha de cima que joga o salto quando chega em casa de madrugada, pelo seu vizinho que canta o hino do flamengo, pela turminha do pagode que fica até altas horas tocando, pela professora que não deixa dormir e pelo professor que deixa, por aquele amigo que berra ao te ver de alegria e pelo inimigo que nem aguenta ver seu rosto... Reze pela sua mãe que liga no meio da balada, pelo seu pai que te busca na frente da festa sem vergonha alguma, pelo seu irmã ou irmão que batem em você... Pela sua namorada, pela sua ex, pela sua futura namorada, pelos seus grupos de amigos, pelos amores que você já teve e já amou, e que já esqueceu também. Reze por viver e para que saiba viver. Reze por uma vida repleta de alegria e de sorrisos, com lágrimas só de felicidade. Porém, quem é que nunca chora de tristeza? Até Ele já chorou na cruz.. Portanto, chore. Sinta tristeza, mas lembre-se que todos sofremos. Reze para que Deus te de forças para superar tudo isso. Para que você possa ensinar seus filhos que tudo um dia vai, mas que vai pra melhor. Reze por netos, para que você possa contar suas peripécias quando ainda era jovem e só queria aproveitar a vida, para contar como conheceu a avó deles. Reze para amar, beber, comer, sonhar, realizar, alegrar... Reze para ser santo, para buscar a santidade. Enfim, reze por mim que eu rezo por ti e nós rezamos por nós. Fiquem na alegria da fé.