sábado, 14 de novembro de 2009

O Jardineiro

O inverno se aproximava cada vez mais, tornando quase impossível caminhar durante a noite. Morros de neve dominavam a estrada por completo, impedindo a passagem de carros e caminhões. O vento varria aquele chão branco com manchas vermelhas como uma mãe protetora que alisa a cabeça de seu filho recém-nascido. No longo horizonte, pequenos sinais de luz eram vistos; eram casas, uma colada a outra, com seus telhados cobertos por uma grossa camada de gelo. Poucas árvores podiam ser vistas, aliás, as nuvens densas no céu não deixavam nem um simples raio de luz da Lua atravessar. Mantinham um suave caminhar, tendo como destino as terras do Norte. No vilarejo silencioso, um jovem rapaz andava sem rumo, sem um destino. Trajava um longo casaco de pele marrom e um capuz do mesmo material. No ombro direito, uma rifle estava pendurado por uma alça de couro de urso. Botas negras esmagavam as pequenas plantas que procuravam em vão um espaço para sobreviverem. Era um andar vago, porém impunha respeito. Na boca, um cachimbo de carvalho estava aceso, liberando um fumaça que se dispersava devido à ação do vento. Era Górki Kwasniewski, que deixava seu abrigo naquele horário para refrescar um pouco a mente. Durante a Segunda Guerra fora um tenente do front polonês na cidade de Dantzig. Buscava um refúgio naquela cidade tão pacata, e não ousava revelar a ninguém sua verdadeira identidade. Para os moradores ele era um simples jardineiro polaco, e não estranhavam vê-lo caminhando nessas horas; como o clima se encontrava muito frio, todas suas flores não conseguiram resistir. A arma pouca atenção chamava, pois todos tinham o costume de caçar alces na temporada de inverno. No relógio da torre da cidade batera quatro horas; Górki começou a retornar do seu passeio. Esfregando uma mão na outra, tentava combater o frio existente e tirando de um dos bolsos do belo casaco reabasteceu seu cachimbo com fumo russo.

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