quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Aproveite.

No longe horizonte sinais de raios solares começavam a aparecer. A grossa neve acumulada no longo inverno começava a derreter e a encharcar o solo lamacento. Os passarinhos saiam de seus abrigos nas cascas e troncos das árvores e logo mergulhavam em um belo vôo por aquela planície. Tudo parecia nascer novamente; uma nova jornada teria seu início ali. No alto de uma colina, um pequeno casebre se instalava, de modo a parecer que sempre tivesse estado naquele exato lugar. Paredes feitas com tijolos laranjas e um telhado formado por telhas azuis davam um ar de aconchego àquela simples moradia. Um longa e fina chaminé subiu em direção ao céu, espalhando uma densa fumaça acinzentada. Através da janela da entrada podia se ver um homem sentado em uma poltrona marrom e desbotada. Ele analisava um antigo livro de capa de couro, e para auxílio usava um óculos de ferro.

De repente, uma rajada de vento penetrou pelas frestas da porta de madeira e das janelas envelhecidas, acabando por se misturar com aquele ar aquecido pela lareira. Kelvin logo tratou-se de se ajustar no seu assento, como se alguém importante tivesse entrado e permanecido. Levantou e começou a andar de um lado para outro, de forma meio cômica, devido a um acidente com um ônibus. Iniciou uma conversa com o nada, pelo menos era para quem o visse fazendo aquilo, mas para ele representava algo corriqueiro e normal. Gesticulava e discutia. Chingava. Chorava. Dava longas risadas. E, como em um passe de mágica, parou sem nenhuma explicação. Olhava para um lado e para o outro, procurando aquilo que só existia só mesmo em sua mente. Retornou à sua poltrona, com uma cara pálida e cansada. Fixou seus olhos no fogo ardente, e começou, sem nenhuma razão e motivo, a refletir sobre o mundo no qual ele vivia.

"Pare. Olhe pela sua janela e pense: em que mundo nós vivemos? Sim, é algo gigantesco. Olhe para o mais longe horizonte que possa ver, e mesmo assim você não irá perceber que a Terra é redonda. Percebeu o tamanho da imensidão? Observe um passarinho que constrói o seu ninho para que seus descendentes possam fazer o mesmo com os seus. Tudo gira em um ciclo muito complexo e simples. Dizem que a única coisa que temos certeza na vida é que algum dia iremos morrer. E esse dia pode ser enquanto você lê esse texto, ou quando você toma seu banho; pode ser daqui um minuto ou 40 anos. A realidade é que ninguém pode definir o momento exato da partida. E você ainda teima em passar a maior parte do seu tempo diante um computador, mexendo no seu orkut ou MSN. Pense no quanto de coisas que você ainda não viu ou vivenciou. Observe ao seu redor e você irá perceber: tudo é lindo. E se não for, faça com que seja. Se você ainda está vivo é porque não terminou a sua missão na Terra. Não esqueça das suas vontades e desejos para que possa ser aceito pelos outros. Seja você."

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