Veneza, 3 de junho de 2010.
Bem, sei que não era dessa maneira que vocês gostariam de receber notícias de mim. Como já devem saber, não estou mais entre aqueles que habitam o planeta Terra. Fui para um lugar que, no exato momento, não sei descrever onde é. Mas meu destino não vem ao caso agora. Quero, em primeiro lugar, agradecer por tudo que me foi proporcionado; meus estudos, minhas viagens na juventude, minha formatura, meus presentes, minha vida. Não sou possuidor de muitos bens, mas pretendo distribuí-los entre os que eu considerava essenciais. Testamento é uma palavra muito forte, muito triste. Sabe, eu não quero ninguém triste com a minha partida, além do mais, eu não parti; sempre estarei em seus pensamentos. Vou protege-los custe o que custar. Bem, vamos ao que interessa.
1º. Minha bicicleta deixou para o Kelvin, que sempre me acompanhou em corridas, pois se não fosse a sua intervenção nunca teria descoberto o quanto é maravilhoso o mundo do ciclismo.
2º. Meus sonhos e desejos entrego a meu pequeno sobrinho Juan. Entretanto, não esqueça os seus, rapaz. (É que preciso de alguém para completar os buracos que deixei em branco).
3º. Meu sorriso deixo para meus lugares de trabalho, os hospitais. E não se esqueçam de levar meus órgãos juntos.
4º. A minha alegria peço que a distribuam entre aqueles que possuem ausência dela.
5º. Para meus queridos e amados pais, deixo o meu respeito e admiração.
6º. Para os verdadeiros amigos, deixo os segredos e as malandragens que vivenciamos.
7º. E por último, mas não menos importante, a minha bela Isadora. Deixo para ti, princesa, o meu amor inesgotável que nutri por você.
F.K.M.

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