terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Deserto

O céu estava límpido, sem nenhum sinal de nuvens, e por conseqüência, chuva. Aquele solo que algum dia chegou a ser lamacento, possuía rachaduras enormes e profundas. Nos galhos das árvores, folhas não podiam ser encontradas. Essas descansavam no solo, como um corredor após uma maratona, retorcidas por causa do forte calor. O que não dariam por uma fraca rajada de vento, ou por uma sombra. A temperatura chegava à mais de 40 graus celsius. Animais que antes ali passeavam, não se atreveriam a pisar naquela terra. Os reservatório de água mais fundos já haviam secados, não deixando nem uma gota para quebrar o seco da garganta, ou pelo menos tentar. O pesadelo consistia realmente no silêncio, que dominava o ambiente por completo. Nada no mundo pode ser pior que o silêncio. Não conseguir escutar um trovão, o cantar de uma cigarra, a voz de outro indivíduo, deve ser horrível. Entretanto, apesar de tamanha capacidade de não habitar um ser vivo, um homem podia ser visto deitado em um tronco tombado, próximo do lugar onde as folhas retorcidas se encontravam. Longos cabelos e uma barba grossa tomavam conta do rosto desidratado. As poucas roupas que vestia tinham um tom azulado e branco desbotado, aparentando pertencer à Marinha. Sem sapatos, seus pés apresentavam muitas rachaduras e cicatrizes, a maioria em carne-viva. No seu peito descoberto havia um colar de identificação, com o seguinte nome: Kelvin K.

Mas como nosso homem foi parar ali, ainda mais com uma roupa de marinheiro?

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